Detail from John Fletchers Art Inspired by Rudolf Steiner
Seal 2, by Clara Retrich: "The Archetypal Animals and Man".

 

OS QUATRO TEMPERAMENTOS

A Ciência Espiritual Antroposófica (ou Antroposofia) se baseia na Ciência Natural e vai além dos seus limites. Amplia a nossa visão para os fenômenos que existem além da percepção física da realidade. O ser humano se apresenta então como um ser complexo que é composto por vários corpos. Além do corpo físico ele também possui um corpo vital, um corpo anímico e a organização (corpo) do eu. Estes corpos podem ser percebidos pelos sentidos supra-físicos que cada ser humano tem em potencial e que podem ser desenvolvidos através de um treinamento interior. O cientista espiritual é um ser humano que desenvolveu estas capacidades e faz pesquisa cientifica utilizando todos os seus sentidos.

Como fruto do treinamento surge o que poderia ser chamado de primeiro grau de clarividência, ou Imaginação, que consegue perceber o corpo vital como composição energética dinâmica que permeia todo o corpo físico, pois é, na realidade, o seu arquiteto e mantenedor. É o portador da vitalidade. Com o segundo grau de clarividência desenvolvido, ou Inspiração, o ser humano pode perceber o corpo anímico que é o portador de toda a nossa vida sensível, sentimental, emocional etc. Ele se manifesta como forma luminosa de imagens em constante movimentação, em formato de ovo. No centro deste ovo está o corpo físico como realidade mais densa do indivíduo que se manifesta neste contexto. Este pode ser chamado de “Eu” ou ser caracterizado como o morador desta “casa” (= corpo físico + corpo vital + corpo anímico). Os efeitos da maior ou menor presença do Eu na sua casa podem ser percebidos por aquele que desenvolveu a clarividência no terceiro grau, ou Intuição. O ser humano ainda limitado, que tem apenas os sentidos físicos a sua disposição, percebe este fenômeno como irradiação ou carisma da pessoa.

Todos os seres humanos são compostos por estes quatro corpos quando encarnados no Planeta Terra. Porém, conforme o seu grau de desenvolvimento e o plano de vida que cada um traz para a sua encarnação, cada ser humano vivencia de maneira diferenciada a composição individual dos seus quatro corpos. Disto resulta o fenômeno dos quatro temperamentos.

Quando a vivência principal é a vivência do corpo físico, que é o mais denso e menos flexível entre os quatro corpos, surge o tipo melancólico que se manifesta como um ser introvertido, reservado, sério e mais profundo, que gosta de pensar e de filosofar sobre a vida. O tipo físico resultante é alto, magro e ossudo.

Quando a vivência predominante é a do corpo vital, surge um tipo mais gordinho e fofo, bonachão que gosta de saborear os prazeres da culinária, pois ele vivencia intensamente o fluxo dos líquidos em sua constituição, principalmente tudo aquilo que tem a ver com os processos da digestão. É um tipo descansado e amoroso que sabe curtir os prazeres do momento. Ele saboreia o presente.

Quando a vivência principal é a do corpo anímico, que tem a sua correlação no elemento ar, assim como o corpo físico na terra, o corpo vital na água e a organização do eu no fogo, surge um tipo elétrico, “ligado” em tudo o que acontece em seu entorno. É o tipo extrovertido que gosta da diversidade das vivências, gosta de festa, gosta de viajar, gosta de conhecer muitos lugares e muitas pessoas. É o tipo que borboleteia pela vida. O tipo biofísico que surge é magrinho, leve e rápido, um tipo mignon, com olhos que brilham, muito acordados e interessados.

Quando a vivência predominante é a da organização do eu surge o tipo colérico. Este é fogoso, dinâmico, sabe muito bem o que quer e como as coisas devem ser feitas e gosta de mandar nos outros. Ser um líder é o seu talento natural, porém, se a individualidade que encarnou nestas condições não é muito evoluída, normalmente se manifesta como um ser explosivo e de difícil convivência, já que o elemento relacionado a este corpo é o fogo. A manifestação física deste temperamento é um tipo baixinho, gordinho prensado e tenso, com pernas curtas e movimentos enérgicos. Um exemplo famoso deste biótipo foi Napoleão.

O fenômeno dos quatro temperamentos é bem mais complexo e vivo do que esta introdução inicial pode mostrar, que foi escrita apenas com a intenção de apontar para esta realidade. Quem busca maior compreensão tem a possibilidade de ler um livrinho, onde estão compilados trechos de várias palestras de Rudolf Steiner, sobre esta temática*. Ou, melhor ainda, pode participar de um grupo de estudos onde este tema é trabalhado através de vivências corporais. É o Curso de Transformação “Quem somos nós?” que acontece a cada ano no Espaço Vivo em Porto Alegre.

O que poderia surgir desta compreensão melhor dos quatro temperamentos? Mais tolerância no convívio social! E, com isto, mais qualidade de vida para todos nós.


Margrethe Skou Larsen

* O Mistério dos Temperamentos, Rudolf Steiner - Editora Antroposófica, Textos escolhidos.

 


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